Economia da Informação

FoxNews.com: Apple é uma religião e o Papa está assustado

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 30 de julho de 2010

Esse excelente artigo da TechCrunch ripado da FoxNews – a última rede de televisão jornalística que preste nos EUA diga-se de passagem – mostra uma analogia bem interessante sobre o fato da Apple torna-se uma religião em um futuro próximo devido a devoção de seus usuários.

O que é interessante de se colocar em pauta (além da ótima analogia que será abaixo inserida) é que a Apple que hoje de acordo com a Forbes é a marca mais valiosa do mundo, aproveitando-se principalmente de precificar, e, principalmente valorizar o design original de Steve Jobs.

A economia da informação se trata entre outras coisas em quantificar economicamente os ativos intangíveis (como por exemplo a experiência do usuário, versioning), e neste caso a Apple através de um aparato de propaganda quase que sufocante conseguiu chegar a um dos pontos mais altos do Vaporware, onde que para alguns (inclusive este postante) é nada mais do que a velha prática de vender fumaça, e ensacada por sinal.

Por mais que os produtos da Apple sejam revolucionários em seu conceito de touchscreen, não há como perceber que um gadget desenvolvido pela a empresa de Steve Jobs tornou-se um símbolo de um status de pessoa cult, pop ou até mesmo considerada ‘antenada’ (sic.) com a tecnologia; onde que na maioria dos casos as pessoas que compram esse tipo de aparelho com diversas opções de recursos multimídia, acabam usando no máximo 2 a 4 recursos; o que é pouco perto das possibilidades que o aparelho oferece. E em casos mais graves nos quais os geeks compram um aparelho com diversos tipos de limitações claras (iPad na ocasião do seu lançamento, que o próprio Jobs dizia que precisava de melhoramentos em suas configurações) ou com defeitos de natureza grave (as antenas e a limitação de recepção de sinal dos iPhone 4) poucas pessoas foram às lojas trocar o seu aparelho ou mesmo pedir manutenção; o que prova a tese de que muitos dos consumidores da Apple ao menos sabem o que vão fazer com o aparelho depois de adquirir.

Essa síndrome da obsolescência tecnológica auto-inflingida tem fundamentalmente como raiz o Vaporware puro e simples, exposto por um marketing de rede que muitas das vezes serve mais como desinformação, ao passo que se esconde atrás desse conceito de produtos ‘revolucionários’ (sic.) a agregação de um preço quase que absurdo  se for levado em conta a utilização útil dos gadgets da Apple.

Talvez isso não seja importante nesse exato momento, mas basta pensar na história das tulipas holandesas, e ver que esse é uma das origens das bolhas financeiras, a mesma que afundou a NASDAQ em 2000.

Fox News: Apple Is The New Religion And The Pope Is Scared

by MG Siegler

Jesus. Maybe literally.

Fox News has a long and illustrious history of saying some fairly outrageous things. A story today on FoxNews.com may be one of the best yet — certainly from a tech perspective.

The post entitled “For Apple Followers, It’s a Matter of Faith, Academics Say” argues that while people may joke about Apple being a religion (JesusPhone, etc), to some, it may actually be a religion. Better, they wonder if Apple shouldn’t pursue that path. Here’s Fox News’ keys as to why Apple is similar to a religion:

* Apple’s creation story epitomizes the humble garage origin of its technology — not unlike the humble manger of Jesus’ birth.
* Apple CEO Steve Jobs is perceived as a messianic leader who was fired but rose again to save the company.
* Apple has traditionally had an evil archenemy, the Devil, as represented first by Microsoft and now by Google.

Yes, Apple’s start in a garage is very similar to Christ’s birth.

They also note that the Pope is scared of such a religion because he once rhetorically asked if a savior was needed in a modern wired world. Clearly, that means Apple.

The story goes on to wonder if Apple — not some crazed Apple fanboys, mind you — might apply for religious status in the future. “Indeed, it would be interesting if Apple were to apply for such a status in the future.“

Naturally, the main impetus behind this farce is that the author can’t understand why people continue to buy iPhones even though they don’t work. Therefore, Apple must be a religion. “It’s not a matter of rationality, it’s a matter of faith,” the author argues.

Meanwhile, back on the planet Earth, the story remains the same. The iPhone 4 does indeed have an antenna issue, but it’s not a major issue in real world use. If it were a major issue, the millions of people who have bought the device over the past month would be returning it en masse. If something doesn’t work, you return it — it’s that simple. That isn’t happening.

So which argument makes more sense? Are the returns not flowing in because it’s really not a big deal — and overall the iPhone 4 is the best smartphone out there? Or is it because Apple is a religion?

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Monopoly Wars (X) – Apple x Bella

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 1 de julho de 2010

Para quem não sabe o Bella é um site voltado ao público adulto que comercializa making offs de ensaios sensuais. Até aí nada demais, só que a Apple resolveu retirar o conteúdo do Bella da Apps da iTunes Store com a justificativa de conteúdo ofensivo e não apropriado para o seu portfólio de vendas.

Na Economia da Informação esse é um dos riscos do sistema proprietário que condiciona de forma compulsória o usuário a utilizar somente aquilo (o conteúdo) que a empresa de tecnologia quer. E entra o velho dilema: Depois que o aparelho for comprado, até onde vai o direito das empresas e onde entra o direito do consumidor? Veja mais um episódio de lock-in desencadeado pela a Apple e a resposta da Bella.

Apple imita a China

A multinacional Apple, já conhecida por não deixar que os donos de iPhones instalem o aplicativo que desejam em seu telefone, agora imita a censura chinesa e resolve definir o que é adequado ou “altamente inadequado ” – conforme palavras do vice-presidente da Apple, Phil Schiller, em entrevista ao The New York Times – aos usuários do aparelho. Ou seja, os donos de iPhone não podem decidir o que é adequado, pois a Apple já decidiu por eles. É como se o usuário comprasse um computador novo e a fabricante do equipamento só permitisse a instalação de aplicativos vendidos e liberados por ela.

Este fato derruba a liberdade de expressão, bem como a liberdade sexual – avanço que, em países civilizados, permite que cidadãos possam acessar todo tipo de conteúdo, seja sensual, erótico, pornográfico ou gay, de acordo com sua própria vontade.

Cinco mil empresas acreditaram na Apple e investiram tempo e dinheiro para lançar aplicativos na APP Store, inclusive seguindo os critérios obscuros do que é “adequado” para a companhia. Após isso, são repentinamente avisadas de que seus aplicativos foram retirados do ar, de forma totalmente arbitrária.

O mais curioso é que aplicativos da revista Playboy e calendários de mulheres seminuas da Sports Illustrated não foram retirados do ar. A explicação de Schiller para casos como estes seria de que se tratam de “empresas conhecidas com material publicado em formato de grande aceitação”. É como se os outros países também não possuíssem conteúdos de “grande aceitação”. Novamente, a Apple tomou a decisão sozinha.

Isto nos leva a questionar qual será o próximo passo da Apple. O bloqueio do Safari, seu navegador, para sites que a empresa considera inadequados?

A Apple precisa, enfim, adaptar-se ao mundo democrático. Precisa derrubar as barreiras que impedem a livre circulação de todos os aplicativos, o que inclui deixar para trás critérios subjetivos de aprovação de conteúdos e a obrigatoriedade da passagem pela Apple Store. Assim como fazem todos os fabricantes de computadores e de sistema operacional, a empresa deve sim liberar em sua loja os APPs com conteúdo sensual, pornográfico ou gay.

Alexandre Peccin

CEO – Bella da Semana

Monopoly Wars (VIII) – Adobe x Apple

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 25 de junho de 2010

Em uma rápida passada no site da Wired, há uma curiosa propaganda da Adobe.

Para entender onde isso começou clique aqui.

Monopoly Wars (II) – Adobe x Apple

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 10 de abril de 2010

A guerra de padrões para aquisição de um monopólio no que tange o certame da apresentação dinâmica de vídeos e websites ficou mais ferrenha após a declaração de Lee Bremellow um evangelista da Adobe onde ele com palavras garrafais dá um recado educadíssimo de:

“Go screw yourself Apple”

Os professores SHAPIRO e VARIAN no livro Economia da Informação, mais precisamente na página 243 retratam esse tipo de situação apresentando o exemplo das bitolas ferroviárias nos Estados Unidos no século XIX. Para complemento do assunto, outra bibliografia correlata é do economista e palestrante NICHOLAS CARR no seu livro Será que TI importa; onde ele realiza a mesma discussão, mas em uma esfera um pouco mais contundente quanto aos dispositivos de conexão de mangueiras de incêndio em Baltimore nos Estados Unidos.

Voltando a discussão, Bremellow diz:

“Personally I will not be giving Apple another cent of my money until there is a leadership change over there. I’ve already moved most of my book, music, and video purchases to Amazon and I will continue to look elsewhere. Now, I want to be clear that I am not suggesting you do the same and I’m also not trying to organize some kind of boycott.”

Justiça seja feita, pois, já que nessa guerra ninguém é santo, ao menos a Adobe não está tentando firmar um padrão no brasileiríssimo e popular ‘goela abaixo’ (sic.) como a Apple vem executando como estratégia de negócios.

É uma briga que envolve temas seriíssimos em economia, administração e tecnologia como vantagem competitiva, diferencial de mercado, estrutura de mercado, monopólio, administração e criação de padrões, desenvolvimento tecnológico entre outros assuntos. Esse é um tema que vai render durante um bom tempo nas discussões de Economia Digital.

PARA LER

CARR, Nicholas. Será que TI importa? Editora Gente. São Paulo, 2009.

SHAPIRO, Carl. A economia da informação: como os princípios econômicos sem aplicam na era da internet. Campus. Rio de Janeiro, 1999.

RUSLI, Evelyn. Adobe: “Go Screw Yourself Apple”. Techcrunch Website. Disponível em << http://techcrunch.com/2010/04/09/adobe-go-screw-yourself-apple-2/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+Techcrunch+%28TechCrunch%29 >> Acessado em 10 Abr 10, às 14h25.

KINCAID, Jason. Apple gives Adobe the finger with its new iPhone SDK agreement. Techcrunch Website. Disponível em << http://techcrunch.com/2010/04/08/adobe-flash-apple-sdk/ >> Acessado em 10 Abr 10, às 14h30.

BRIMELOW, Lee.  Apple Slaps Developers In The Face. The flash Blog. Disponível em << http://theflashblog.com/?p=1888 >> Acessado em 10 Abr 10 às 14h43.

Cobrança de conteúdo online: New York Times

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 25 de janeiro de 2010

Ebooks x Livros

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 16 de janeiro de 2010

No site do Estadão está hospedada uma entrevista com o escritor Paulo Coelho, que é o autor brasileiro mais vendido no mundo; onde ele chama atenção para o modelo de negócios que ele adotou para se popularizar sem perder público que foi de tornar público para download 20 de suas obras.

Paulo Coelho mantém um blog onde ele divulga pequenos pedaços de suas obras ainda em fase de editoração, pensamentos diversos, e támbem serve como canal de comunicação entre os seus leitores.

Partindo para uma pequena análise em Economia da Informação, Paulo Coelho foi muito feliz em sua observação mediante a questão de como a geração acostumada com o papel vai adaptar-se ao meio eletônico ele disse:

Assim como o teatro sobreviveu a tudo (cinema, televisão, etc.), o livro em papel também vai sobreviver. Mas o que estamos vendo no momento em diversos países do mundo, inclusive no Brasil? As livrarias independentes estão desaparecendo. O grande problema reside aí – não há nada que substitua uma boa livraria – pelo convívio, pela atmosfera, pela beleza. Não sei quanto tempo esta transição levará, bem menos do que imaginamos, e creio que a adaptação de todo o mercado será muito difícil. Por outro lado, o e-book tal como conhecemos hoje será em breve substituído pelos smartphones. Quando digo em breve, estou falando antes do final deste ano. E escrever para o formato do smartphone é muito difícil. O que me facilita muito é que tenho experiência com um blog diário no Brasil, e com o meu blog – textos curtos e diretos.

Aqui podemos observar logo de cara o fato de o livro ter alta base instalada e de altos custos de troca tornando lento e desvantajoso o processo de adaptação, mesmo se for por uma tecnologia superior, pois, mesmo com o advento dos smartphones e de e-readers, estes ainda não possuem a infinidade de bibliotecas como o formato impresso.

Outro aspecto a ser observado é o fato de ser mencionada a atmosfera do ambiente de uma livraria ou até mesmo em um clube de leitura, o qual permite um maior grau de sociabilização, fato esse produto da experiência do usuário onde nem mesmo os formatos digitais conseguem suprir essa necessidade humana de sentir o ambiente.

O google está nos tornando estúpidos?

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 16 de janeiro de 2010

Uma sugestão de leitura sobre Economia da Informação, mas especificamente sobre dispersão e concentração de informações é o ótimo artigo do pensador, ensaísta especializado em economia e negócios, e ex-editor da Harvard Business Review Nicholas Carr.

Em seu artigo publicado em agosto de 2008 na revista Atlantic com o título de Is Google Making Us Stupid ? onde ele traça diversos paralelos sobre a forma em que a informação está mais acessível e democratizada nos dias de hoje, mais especificamente em uma reflexão sobre os motores de busca e a capacidade de dispersão e concentração devido à avalanche de informações as quais somos submetidos a cada dia.

No começo do artigo ele traça um paralelo entre o filme 2001: Uma odisséia no espaço quando ele traz uma passagem do supercomputador HAL e o controle artificial e o descontrole humano. Carr explica que com o advento das novas tecnologias, e aprimoramento das ferramentas de busca mediante a navegação em busca da informação, antes feitas em bibliotecas por horas a fio em busca de uma referência, hoje é feita em questão de minutos graças a montanhas de pentabytes espalhadas pela a internet.

Porém, na visão de Carr, essa acessibilidade à informação tornou o ser humano pouco capaz de selecionar a informação, bem como pouco capaz de manter o foco em atividades que demandem atenção contínua como a leitura de um livro por exemplo. O fato de essas tecnologias trazerem um quociente de informações gigantesco em questão de segundos alimenta também o ramo de propaganda, que, ao mesmo tempo direciona para a informação pertinente; ela também mapeia nossa navegação direcionando propaganda personalizada.

Um paralelo muito interessante realizado por Carr foi de que a dispersão e a falta de foco e concentração durante a navegação na web estão atrapalhando até questões relativas à cognição e a capacidade de aprendizado e sintetização dessa informação, tamanho grau de redução do conhecimento em si para gerar informação; isso é bem conhecido em Arquitetura da Informação mediante a utilização de técnicas de usabilidade, como, redução de texto para páginas em formato web.

Uma passagem no artigo é a similaridade da eficácia taylorista com extrema eficiência da atividade de leitura, que antes deveria ser criteriosa e abdicada de pressa, e hoje tão suprimida pela a falta de tempo dos navegantes da rede.

Na visão do autor para o Google “a informação é uma espécie de commodity, um recurso utilitário que pode ser minerado e processado com eficiência industrial. Quanto mais peças de informação nos pudermos acessar, mais rápido podemos extrair o seu conteúdo, e nos tornaremos pensadores mais produtivos”

Para aqueles que acham que Nicholas Carr é um cético de tecnologia, um dos velhos nostálgicos, leiam o artigo livre de preconceitos, pois, no mínimo, é uma leitura de reflexão em meio a torrente de informações a que somos bombardeados todos os dias, sejam pelo o imediatismo e sensacionalismo dos jornais, bem como a superficialidade e a abreviação precoce das páginas de internet; afinal de contas não queremos nos tornar pessoas panquecas [1] que são vastas lateralmente, mas rasas em conhecimento.

[1] – Adaptação do autor para o termo “Pancake People“.