Economia da Informação

Entre o aprisionamento e a selva

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 23 de outubro de 2010

Dentro da economia da informação o lock in (ou aprisionamento) é um fato de um produtor de algum produto tecnológico oferecer produtos que o usuário não possa ter opções de escolhas de tecnologias dentro do dispositivo, bem como o mesmo não tenha qualquer compatibilidade com outros dispositivos que não pertençam ao ecossistema da empresa. Exemplos claros disso: Windows, iPhone, iPad, Blackberry, et cetera.

Já a selva é o contrário, com a abertura dos códigos para os mais diversos dispositivos as possibilidades de customização são quase que infinitas, e são condicionadas exclusivamente pela a capacidade do hardware que irá suportar a tecnologia. Entretanto, com essa abertura os usuários ficam sem qualquer tipo de suporte fácil, e na maioria das vezes só encontram informações em comunidades muito específicas e de pouco acesso. Exemplos: Linux, Android, comunidade Java, et cetera.  

Neste pronunciamento de Steve JobsSteve Jobs x Android, ele critica a plataforma Android pelos motivos supracitados, porém, ele esquece de que a sua plataforma tem um dos ecossistemas de negócios (fornecedores, desenvolvedores, hardware) mais fechados do mundo digital. 

Seja no aprisionamento ou na selva, o que podemos esperar é que essa guerra não vai terminar bem para nenhum dos lados, seja para as empresas, seja para os consumidores.

A batalha das patentes II

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 23 de outubro de 2010

Nessa reportagem da The Economist é abordado o tema das constantes batalhas judiciais que ocorrem em  todo mundo na área de telecomunicações, em especial pela a quebra de patentes.

O EI já abordou em um post esse tema e inclusive tem a seção Monopoly Wars que falam dessa verdadeira guerra de patentes, onde as empresas não brigam para conquistar novos clientes ou melhoria de seus serviços, mas sim brigam para alcançar a condição monopolista de estabelecer o seu padrão único de base instalada.

Batalhas das Patentes

A batalha das patentes

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 23 de outubro de 2010

Através do excelente gráfico da Isto É Dinheiro, dá para ver como funciona a guerra de padrões e quais são as armas das companhias para estabelecer a maior base instalada.

A Guerra Burra

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 11 de outubro de 2010

Um dos maiores desafios na economia da informação está no fato da distribuição da informação e na sua replicação instantânea com custo marginal zero.

As empresas de tecnologia, em especial as produtoras de filmes lutam contra a pirataria da mesma forma que um barco a motor tenta subir as cataratas de Foz do Iguaçu, só para simplificar o pensamento com uma analogia.

Neste artigo de Pedro Dória, fica evidente que nenhum dos departamentos econômicos das empresas de conteúdo leu Information Rules, ou mesmo os postulados de Hal Varian sobre custo marginal zero e replicação de conteúdo.

Aberta a chave para a pirataria em alta definição

Por Pedro Doria

Na semana passada, uma chave-mestra para o protocolo HDCP vazou na internet. É o fim da proteção anti-pirataria de discos Blu-ray e mais um capítulo na disputa pelos direitos autorais no tempo da informação digital.

HDCP é uma tecnologia um bocado complicada. Desenvolvida pela Intel nos anos 1990, seu objetivo é muito maior do que impedir cópias de discos. É uma solução completa para impedir cópias de vídeo digital de alta resolução. Todo aparelho que usa cabos HDMI – o console de videogame, a caixa da TV a cabo HD, a Apple TV, os players Blu-ray, etc.– tem HDCP.

Funciona assim: cada aparelho sai da fábrica com sua própria chave, um longo código de números. Quando o player Blu-ray é conectado ao aparelho de TV através de um cabo DVI ou sua versão mais moderna, HDMI, as duas máquinas comparam suas chaves para produzir um terceiro código. O sinal de vídeo transmitido do player para a TV é, então, embaralhado, encriptado por este último código, tornado impossível de ser exibido por qualquer outro aparelho que não aqueles dois.

É assim que se impede a presença de um gravador entre a TV e o player. Como a operação é complexa, demora um tempo para decodificar o sinal de vídeo, coisa que contribui para o delay na TV digital de alta resolução. (Quem vê futebol em HD bem sabe quão irritante é ouvir o vizinho gritar gol quando, na sua tela, o artilheiro ainda mal cruzou o meio campo.)

O esquema de proteção vai além. Se por um acaso um determinado aparelho é comprometido – se o seu código secreto vaza – ele pode ser de certa forma cancelado. Todo novo disco Blu-ray vem abastecido de uma lista de chaves bloqueadas. Ele não tocará nos aparelhos daquela determinada série porque uma unidade foi desbloqueada em algum canto do mundo.

O consumidor honesto que compra seus filmes ou paga caro por TV a cabo HD não ganha nada com HDCP. Pelo contrário: perde com o delay do futebol, com a possibilidade de sua TV não funcionar mais, de uma hora para a outra, com os filmes mais novos. (E ele nem imagina o porquê.)

O que a chave-mestra tornada pública faz é muito simples: torna inoperante a lista de aparelhos revogados. Em termos práticos, ficou fácil construir um aparelho que faça cópias do vídeo ligado através de cabos HDMI.

Não será uma atividade simples para amadores, mas copiar o filme alugado tornou-se fácil para qualquer adolescente com espírito um quê mais aventureiro. E, assim, as redes de troca da internet serão infestadas de cópias HD de quaisquer lançamentos.

Não é a primeira vez que algo do tipo acontece. Em 1999, um jovem programador norueguês chamado Jon Lech Johansen de apenas 16 anos quebrou o sistema CSS, que protegia os DVDs. Lançou na rede o primeiro programa para copiar filmes. E sua vida tornou-se um inferno, com a polícia invadindo sua casa e anos de processos na Justiça. No fim, o governo acabou desistindo de levá-lo à cadeia.

Após a quebra do CSS, a indústria do cinema viu na chegada da alta definição uma saída para encontrar outra solução. Era o momento em que consumidores teriam de trocar todo seu equipamento em casa e, portanto, uma oportunidade para usar mais que software, um sistema fechado que protegia no nível do hardware. Foi como surgiu o HDCP que agora cai por terra.

A Intel, ao reconhecer que a chave-mestra de fato funciona, anunciou que processará todos os que tentarem usá-la. É uma ameaça que terão dificuldades de cumprir.

Não será a última vez que a indústria tenta criar um processo para impedir cópias da informação digital. Tampouco será a última em que, após um tempo, uma maneira de driblar o processo acaba surgindo. Desta vez, no entanto, o investimento em maquinário e tecnologia foi grande.

A indústria se protegeu por alguns anos, mas rodou justamente no momento em que vídeo em alta definição começa a se tornar popular.

 

Monopoly Wars (XIII) – Oracle/Java x Google

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 16 de agosto de 2010

IDG NOW!

Os riscos da estratégia de ‘terra arrasada’ da Oracle para lucrar com Java

Ao processar a Google, empresa afirma posição de única dona das patentes Java, mas joga um balde de gelo sobre os desenvolvedores open source.

O processo da Oracle contra a Google acerca do Java presente no sistema operacional Android revela um plano agressivo para extrair lucros da plataforma Java, tida por Larry Ellison como “o ativo de software mais importante que já adquirimos”.

Mas, ao apelar para os tribunais e escolher uma batalha sobre patentes e copyright, a Oracle corre o risco de jogar um balde de água gelada no ecossistema Java e em grandes projetos de código aberto mantidos pelo setor de TI.

A queixa inicial apresentada pela Oracle à Justiça é curta e simples. A Oracle afirma que o Android viola copyrights e patentes que passaram às suas mãos com a compra da Sun.

Na sexta-feira (13/8), a Google afirmou que irá responder com briga ao processo, que considera um ataque não apenas à empresas mas a toda a comunidade Java de código aberto.

A queixa sobre copyright parece difícil de permanecer em pé. Há anos o código-base Java é oferecido como open source, e a máquina virtual Davlik, da Google, é uma implantação, do zero, das tecnologias Java.

Susto
Mas só o fato de a Oracle pensar que pode abrir processos sobre propriedade de código aberto basta para assustar os desenvolvedores que trabalham com código aberto, mas não têm acesso aos mesmos recursos legais da Google. E talvez traga até lembranças dos velhos tempos da disputa entre IBM e SCO.

A disputa sobre patentes, no entanto, é outra história. Todas as patentes citadas parecem descrever, em termos gerais, funcionalidades que são o coração da tecnologia Java. O patenteamento de “métodos” abrangentes é fonte de perigo e incerteza para toda a indústria de software.

 

Monopoly Wars (VI) – Apple x Adobe

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 1 de maio de 2010

E a briga pela a base instalada e pelos padrões não tem fim…

Essa semana, aos moldes dos livros do Vereador Gabriel Chalita e do Padre Fabio de Melo, o Steve Jobs escreveu uma carta aberta sobre os problemas de incompatibilidade e a recusa da utilização do formato Flash para os gadgets da Apple. E menos de dois dias o CEO da Adobe Shantanu Narayen respondeu a singela cartinha de Jobs. Acompanhemos essa batalha pela a base instalada, através das palavras dos dois personagens.

Carta de Steve Jobs – por Olhar Digital

[…]Eu quis colocar às claras algumas das nossas opiniões a respeito dos produtos Flash da Adobe, para que os clientes e os críticos possa entender melhor porque nós não permitimos o Flash nos iPhones, iPods e iPads. A Adobe afirmou que nossa decisão foi baseada apenas na visão de negócios – eles dizem que queremos proteger nossa App Store – mas, na realidade, ela é baseada em critérios de tecnoclogia. A Adobe alega que nós somos um sistema fechado, e que o Flash é aberto, mas de fato, é justamente o contrário. Deixe-me explicar.

Em primeiro lugar, há o “Aberto”.

Os produtos Flash da Adobe são 100% proprietários. Eles só estão disponíveis por meio da Adobe, e a Adobe sozinha é quem decide seus futuros aprimoramente, preços, etc. Ainda que eles estejam amplamente disseminados, isso não significa que sejam abertos, já que são controlados completamente pela Adobe e disponíveis apenas por seu intermédio. Sob praticamente todas as definições, o Flash é um sistema fechado.

A Apple tem muitos produtos proprietários também. Ainda que o sistema operacional para o iPhone, iPod e iPad seja proprietário, nós acreditamos firmemente que todos os padrões para a Web devem ser abertos. Em vez de usar o Flahs, a a Apple adotou HTML 5, CSS e JavaScript – todos padrões abertos. Todos os aparelhos móveis da Apple saem de fábrica com com a alta performance e o baixo consumo de energeia possibilitado por esses padrões abertos. HTML 5, o novo padrão da Web adotado pela Apple, Google e muitos outros,permite aos desenvolvedores criar gráficos avançados, tipologia, animações e transições sem depender de plug-ins para browsers de terceiros (como o Flash). O HTML 5 é completamente aberto e controlado por um comitê de padronização, do qual a Apple faz parte.[…]

[…]Em segundo lugar, “A Web Integral”

A Adobe disse repetidas vezes que os dispositivos móveis da Apple não conseguem acessar a Web em sua plenitude porque 75% do video na Web está em Flash. O que eles não dizem é que quase todo esse vídeo também está disponível num formato mais moderno, o H.264, e visível nos iPhones, iPods e iPads. O YouTube, que concentra cerca de 40% do vídeo online, brilha por meio de um aplicativo embarcado em todos os dispositivos móveis da Apple, com o iPad oferecendo provavelmente a melhor experiência de visualização do YouTube de todos os tempos. Agregue a isso os vídeos do Vimeo, Netflix, Facebook, ABC, CBS, CNN, MSNBC, Fox News, ESPN, NPR, Time, The New York Times, The Wall Street Journal, Sports Illustrated, People, National Geographic, and muitos, muitos outros. Os usuários do iPhone, iPod e iPad não estão perdendo muito vídeo. Em terceiro lugar, “confiabilidade, segurança e performance”

A Symantec recetemente chamou a atenção para o fato do Flash ter tido um dos piores registros de segurança em 2009. Nós também sabemos que o Flash é a causa número um para “paus” nos Macs. Nós temos trabalhado com a Adobe para corrigir esses problemas, mas eles persistem já há vários anos. Nós não queremos reduzir a confiabilidade e a segurança dos nossos iPhones e iPads ao adicionar o Flash.[…]

[…]Em terceiro lugar, “confiabilidade, segurança e performance”

A Symantec recetemente chamou a atenção para o fato do Flash ter tido um dos piores registros de segurança em 2009. Nós também sabemos que o Flash é a causa número um para “paus” nos Macs. Nós temos trabalhado com a Adobe para corrigir esses problemas, mas eles persistem já há vários anos. Nós não queremos reduzir a confiabilidade e a segurança dos nossos iPhones e iPads ao adicionar o Flash.[…]

[…]Em quarto lugar, “ a duração da bateria”

Para conseguir fazer a bateria durar mais ao exibir vídeo, os dispositivos móveis precisam usar o hardware para decodificar o vídeo; decodificar em software requer muita energia. Muitos dos chips usados nos dispositivos móveis modernos têm um decodificador chamado H.264 – um padrão que é usado em todos os Blu-ray players e que foi adotado pela Apple, pelo Google (YouTube), Vimeo, Netflix e muitas outras companhias.
[…]

[…]Em quinto lugar, “ o Toque”

O Flash foi desenhado para PCs usando mouses, não para telas sensíveis ao toque. Por exemplo, muitos Websites em Flash se apóiam em “roll overs”, que abrem janelas pop-up ou outros elementos quando você posiciona o cursor sobre um lugar específico. A revolucionária interface multi-toque da Apple não usa mouse, e não há espaço para um “roll over”. A maioria dos sites que usam Flash terão de ser reescritos para se adaptar a dispositivos sensíveis ao toque. Se os desenvolvedores precisarão reescrever os Websites, por que não usar uma tecnologia moderna, como o HTML 5, CSS e JavaScript?[…]

[…] Em sexto lugar, a “ mais importante razão”

Além do fato do Flash ser fechado e proprietário, ter grandes atrasos técnicos e não suportar dispositivos sensíveis ao toque, há uma outra e ainda mais importante razão para não permitirmos o Flash nos iPhones, iPods e iPads. Nós discutimos os apectos negativos de usar o Flash para vídeo e conteúdo interativo para os Websites, mas a Adobe também quer que os desenvolvedores adotem o Flash para criar aplicativos que rodem em nossos dispositivos móveis.[…]

[…]Conclusões

O Flash foi criado durante a era dos PCs –para PCs e mouses. O Flash é um sucesso empresarial para a Adobe, e nós conseguimos entender porque eles querem levá-lo além do mundo dos PCs. Mas, a era móvel tem a ver com dispositivos de baixo consumo de energia, interfaces táteis e padrões abertos para Web – todas áreas que o Flash não atende.

A avalanche de produtores de mídia que oferecem seus conteúdos para os dispositivos móveis da Apple mostra que o Flash não é mais necessário para assistir vídeos ou consumiro qualquer tipo de conteúdo da Web. E os 200.000 aplicativos da App Store provam que o Flash não é necessário para que milhares de desenvolvedores criem aplicativos graficamente ricos, incluindo games.

Novos padrões abertos criados na éra móvel, como o HTML 5, vão predominar nos dispostivos móveis (e nos PCs também). Talvez a Adobe devesse focar mais em criar grandes ferramentas HTML 5 para o futuro, e menos em criticar a Apple por deixar o passado para trás.

Steve Jobs

Abril de 2010
[…]

Entrevista do Shantanu Narayen ao Wall Street Journal

Monopoly Wars (III) – Apple x Adobe

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 12 de abril de 2010

Direto do Techcrunch mais uma notícia do front.

Steve Jobs Responds To iPhone SDK Complaints: ‘Intermediate Layers Produce Sub-Standard Apps’

“We’ve been there before, and intermediate layers between the platform and the developer ultimately produces sub-standard apps and hinders the progress of the platform.” (Steve Jobs)

Segundo o artigo assinado por Jason Kincaid:

“The gist of the article is that Apple doesn’t want a ‘meta-platform’ to exist between the iPhone and developers, as this would facilitate simultaneous development for competitors’ platforms and give Apple less control over the iPhone ecosystem.”

Steve Jobs está em uma encruzilhada que pode determinar a médio prazo (5 a 10 anos) o futuro da Apple, e consequentemente dos concorrentes; pois, ao limitar o limiar de desenvolvimento para a sua plataforma ignorando o SDK ele impõe a qualquer custo o seu padrão para o desenvolvimento de aplicações para o iPhone. É uma clara guerra de padrões que não ajuda muito o consumidor, nem aos investidores pelo o fato que a demanda reprimida sob o produto conservará alta pelo o fato dos compradores não quererem administrar o risco de comprar um produto que tornaná obsoleto devido à incompatibilidade de padrões de aplicações e de hardware. De fato é esperar o fim da guerra para realizar uma análise mais precisa dos aplicativos da Apple.

PARA LER:

KINCAID, Jason. Steve Jobs Responds To iPhone SDK Complaints: ‘Intermediate Layers Produce Sub-Standard Apps’. Techcrunch Website. Disponível em << http://techcrunch.com/2010/04/10/steve-jobs-responds-to-iphone-sdk-complaints-intermediate-layers-produce-sub-standard-apps/ >> Acessado em 12 Abr 10 às 08h10.

TAO EFFECT BLOG. Steve Jobs’ response on Section 3.3.1. Disponível em << http://www.taoeffect.com/blog/2010/04/steve-jobs-response-on-section-3-3-1/ >> Acessado em 12 Abr 10 às 08h39.