Economia da Informação

Aqui, a Microsoft ameaça o Google

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 23 de outubro de 2010

De ISTO É DINHEIRO

A empresa de Bill Gates vinha perdendo espaço para os rivais do Vale do Silício, mas pode dar o troco onde seria mais improvável: nos mecanismos de busca. E tem como aliado o Facebook e o Yahoo! Por Bruno Galo

Enfrentar o Google não é uma tarefa fácil. Mas se há um Davi com os cofres cheios o suficiente para encarar o Golias das buscas, ele é a Microsoft. A obsessão da empresa de Bill Gates é antiga. Ela já tentou de tudo para desbancar a rival. Em maio de 2008, anunciou até que pagaria a quem usasse o seu buscador.

A tática não surtiu efeito. As coisas só começaram a mudar no início do ano passado, com a contratação do engenheiro chinês Qi Lu (pronuncia-se Chi-Lu). Com ele à frente do Bing, o atual buscador da Microsoft, lançado em maio do ano passado, finalmente começou a assustar o Google.

“O Bing é um buscador altamente competitivo”, admitiu recentemente Eric Schmidt, CEO do Google, em entrevista ao jornal americano The Wall Street Journal. “O Bing, e não a Apple ou o Facebook, é o nosso principal concorrente.”
 
É verdade que o Google ainda está muito à frente em participação de mercado em relação ao Bing. Nos EUA, tem mais de 60% da preferência dos internautas. O Bing, pouco mais de 11%. Há mais de um ano, era menos de 8%, um indício de que cresce, mesmo que lentamente. Quando a parceria com o Yahoo começar a valer, terá quase 30%.
 
Mas o que de fato surpreende, na curta história do buscador da Microsoft, é que ele está inovando e, inclusive, sendo copiado pelo todo-poderoso Google. O primeiro sinal foi sutil, embora surpreendente.
 
Em junho, o gigante das buscas passou a permitir a mudança da imagem do seu plano de fundo. Saiu a tradicional página inicial branca com a minimalista caixa de busca, marca tradicional do Google, e pode entrar no lugar uma fotografia, exatamente como faz o rival Bing (um exemplo é a foto de fundo que ilustra esta reportagem).
 
Em julho, a busca de imagens aposentou o texto e a necessidade de ficar mudando de página, por uma barra de rolagem infinita, coisa que o Bing faz há tempos. No mesmo mês, o Google comprou a empresa ITA Software, por US$ 700 millhões, para melhorar a forma como informações sobre voos são organizadas, um dos pontos fortes do buscador da Microsoft.

É exatamente em nichos específicos, como o das passagens, que o Bing vem se destacando. Na prática, além de buscas mais organizadas, ele apresenta resultados relevantes para quem pesquisa o preço de um produto, planeja uma viagem ou procura um restaurante, entre outros itens.
 
A má notícia – pelo menos para os brasileiros – é que nada disso ainda está disponível no Brasil. Nos EUA, a cartada nais ousada e promissora do Bing é uma aliança com a rede social Facebook.
 
“Com certeza, essa parceria é significativa e pode mudar os hábitos dos internautas em termos de busca”, disse à DINHEIRO Alex Banks, vice-presidente da comScore para a América Latina, empresa americana que mede a audiência de sites na web.
 
Pela parceria, o Bing vai poder usar o conteúdo da maior comunidade online do mundo, com mais de 550 milhões de usuários, em seus resultados de buscas. Esse é um terreno a que o Google não tem acesso.
 
O acordo é um grande passo rumo à “busca social”, no qual os resultados são influenciados pela opinião dos nossos amigos. “Não tenho dúvida de que essa integração irá revolucionar as buscas”, declarou o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg. Copiar o Bing não será tão fácil desta vez. Afinal, a Microsoft é sócia do Facebook, que pode barrar – e já faz isso – o acesso do Google ao seu conteúdo.
 
Por trás de todas essas novidades do Bing está a grande arma da Microsoft: a mente criativa de Qi Lu. O desafio de superar o Google não é nem de longe o maior na vida desse chinês viciado em trabalho, que acorda às 3 horas da manhã e raramente deixa a sede da Microsoft antes das 22h.
 
A criança pobre criada pelos avós em uma aldeia rural sem eletricidade ou água corrente na China se tornou doutor em ciência da computação, com passagens pela IBM e Yahoo!. Os colegas de trabalho costumam dizer que sua inteligência só é equiparada à disciplina no trabalho.
 
Agora, para fazer o Bing crescer de forma mais rápida, ele conta com outra parceria. A partir de agosto o Bing passou a ser a tecnologia de buscas dos sites do Yahoo!. O acordo será válido por dez anos e a integração dos sistemas deve estar concluída em 2012. Eis a Microsoft, no melhor estilo “unidos venceremos”, decidida a destronar o Google.

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