Economia da Informação

A evolução e a decadência das redes pseudo-sociais

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 11 de outubro de 2010

Para quem é leitor assíduo de veículos de mídia ligados à computação e internet não deve ser difícil ver bons colunistas falando de computação como se fosse algo simples e trivial, algo que fosse comum a qualquer pessoa; o que de fato não é dado os crescentes números sobre as matriculas em cursos de computação e as evoluções em TIC’s no Brasil, não tem erro.

No que tange a nova coqueluche dos comentaristas e colunistas em tecnologia da informação e comunicação são as redes sociais e o seu crescimento ao redor do mundo, principalmente em terra brasilis.

Acontece que as redes sociais são ‘inovações’ (sic.) relacionadas quase que exclusivamente para o front end, ou seja, em nível de usuário, mas consistem em práticas simples de conectar pessoas, e torna-las expostas como em uma grande vitrine no qual possam colocar seu status, fotos, e demais informações; e é aí que entra o pulo do gato de como monetizar a coisa toda.

O que é interessante em nível de negócio nas redes sociais não são gadgets, ou applets relacionados a conectividade ou mesmo patrocínios, mas sim a venda de informações de seus usuários para as empresas.

O artigo do Pedro Dória retrata bastante o que essas redes pseudo-sociais (que como diria o colunista da’ Isto É’ e membro do ‘Manhattan Connection’ Ricardo Amorim, ‘aproxima os ‘distantes e separa os próximos’) e seus efeitos no sentido de que não são feitas para aproximar pessoas, mas sim é uma mistura de brechó social, com um parque de diversões estéreis.

Os amigos, os amigos dos amigos e os conhecidos

Por Pedro Doria

Paul Adams trabalha no Google. Cuida do desenho de interfaces de mídias sociais em projetos como Buzz e sites como YouTube. Recentemente, fez aos colegas de empresa uma apresentação sobre seus estudos. E publicou-a na web. Segundo Adams, as redes sociais estão mal construídas. Não entendem como as pessoas se relacionam na vida real. Para demonstrá-lo, usa o exemplo de uma moça que entrevistou. Debbie.

Criada em Los Angeles, na Califórnia, vive um tanto ao sul, em San Diego. Dá aulas de natação para crianças. Enquanto mostrava aos pesquisadores do Google como usa oFacebook, Debbie repentinamente deu-se conta de algo sério.

Alguns de seus amigos de LA, que trabalham num bar gay, costumam publicar fotos das noitadas em seus perfis. São fotos que, via sua página de perfil, seus jovens alunos conseguem ver. São pedaços de sua vida que Debbie não queria ver misturados e que, no entanto, estão.

Acontece de formas diferente com todos nós.

No caso de Debbie, ela tem quatro “redes sociais”. Seus amigos de LA, os de San Diego, seus alunos e sua família. Amigos de um grupo não necessariamente se encaixam no outro. Sites de relacionamento, no entanto, costumam tratá-los como um grupo único.

Adams recolheu estudos com pessoas em todo o planeta. Em média, temos, todos, algo entre quatro e seis grupos distintos de relacionamentos formados por entre duas e dez pessoas cada. “Amigo” não é a palavra certa para descrever 85% dessa gente. São conhecidos. Há, na verdade, laços fortes e fracos de relacionamento. Uma pessoa, qualquer pessoa, tem entre duas e seis outras pessoas com quem divide laços fortes.

E nosso universo de relações tênues não vai além de 150. Os grupos nômades humanos não passavam de 150 pessoas. As divisões do Exército Romano, idem. O perfil típico do Facebook e o número de editores máximo de artigos da Wikipedia chega ao mesmo número mágico.

Há um terceiro tipo de relação, a relação temporária, que a internet gerencia bem. É o sujeito de quem compramos algo num site de leilão, é o resenhista de um produto na loja virtual, a pessoa que nos ajuda a resolver um problema em algum fórum. A nota do resenhista, depoimentos de outros sobre esta pessoa,
nos ajudam a confiar ou não.

A rede também é competente para nos auxiliar com nossas relações fortes. No Skype, 80% das conversas de um indivíduo são sempre com as mesmas duas pessoas. Mesmo entre os mais jovens, é o e-mail, e não o site de relacionamentos, o veículo preferencial para comunicar algo para o amigo do peito.

A internet falha é no grupo do meio, aqueles 150 com quem temos alguma relação, mas não íntima. Falha de duas formas distintas. A primeira, porque não faz distinção entre os colegas de trabalho, os amigos do colégio, os pais e irmãos e a turma do fim de semana. A segunda, porque não deixa evidente
que os grupos estão misturados.

Foi o caso de Debbie quando, repentinamente, percebeu que o ato de fazer duns bons companheiros seus amigos no Facebook expôs seus alunos crianças a um lado de suas vida que queria privado. Os grupos, ali, estavam misturados. E, sem que ela se desse conta, expôs a ambos duas facetas suas.

Aí entra um pulo do gato: quanta gente não resmunga que, nas redes sociais, só tem pessoas falando sobre o que estão comendo? Acontece, de fato.E, sempre que alguém escreve sobre seu almoço, tem um público bastante específico em mente. Não se trata, evidentemente, de todos nossos ‘amigos’. Só um grupo que não foi devidamente separado do todo.

Atualizamos nosso status, nos sites de relacionamento, para gerenciar a maneira como somos vistos pelos outros. Para cultivar relações específicas. Para dividir com alguns informação que consideramos úteis. A informação que tornamos pública para uns, no entanto, não deveria ser pública para todos.

A apresentação de Adams está no Slideshare.com, basta fazer uma busca por seu nome. Foi a jornalista Gina Trapani quem a descobriu.Mas esta divisão entre grupos de amigos já foi posta em prática pelo Google, aqui mesmo, no Brasil. Resta saber se as mudanças implementadas no Orkut serão adotadas no Google
Me, a rede social que o gigante da internet está preparando para concorrer com o Facebook. É esperar para ver.

 

 

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