Economia da Informação

Digital Age 2.0: Quem paga pelo conteúdo online?

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 22 de agosto de 2010

Direto de IDG NOW!

Debate entre especialistas discutiu uma das principais questões da mídia atual: como manter conteúdo relevante na ‘Era do Grátis’.

Quem paga pelo conteúdo na web 2.0? Essa foi uma das principais discussões durante o 2º dia do Digital Age 2.0. O assunto foi pauta em um painel que reuniu Eduardo Aspesi, VP de Mercado Nacional do Grupo RBS, Fernando Alphen, diretor da agência F/Nazca, Suzana Singer, ombusdman da Folha de São Paulo, Rodrigo Velloso, diretor de desenvolvimento de negócios do Google para América Latina e Michel Lent, gerente geral da agência Ogilvy Interactive, com moderação de Silvia Bassi, publisher da Now!Digital Business.

O discussão começou com a grande questão da mídia atual: como sustentar a produção de conteúdo de qualidade na internet, uma mídia em que a absoluta maioria dos consumidores está acostumada a pagar nada?

Suzana Singer defendeu o valor da mídia tradicional. “Notícia bem-apurada, bem-feita, ainda é um produto muito caro”, disse a ombudsman. Para ela, a existência de jornalismo independente, com equipes que tenham tempo e verba para longas apurações, é fundamental para a democracia. O modelo atual, que privilegia a audiência em troca de publicidade, não é bom no longo prazo para o jornalismo. “O sensacionalismo atrai cliques, mas não é relevante”, argumentou.

Já para Lent, as grandes corporações estão sob séria ameaça. Ele acredita que há preocupação demais com o conteúdo, e pouco com os produtos, que deveriam ser o foco das organizações de mídia. “O melhor modelo de negócios é o mais simples: crie coisas incríveis, relevantes”, disse. Ele apontou como exemplos os casos do Google, Firefox e Apple, que brilharam pela qualidade de suas criações, mais do que pelos investimentos em marketing.

Aspesi, da RBS, acredita que o problema também passa pela distribuição do conteúdo. “Temos de estar onde as pessoas querem, seja no mobile, portais jovens, blogs, onde for”, disse.

Pessimista, Alphen acredita que o momento é de transição – para pior. Ele mencionou pesquisas apontando que, entre o público mais jovem (até 15 anos), as principais fontes de informação são mecanismos de busca (principalmente o Google, claro), Orkut, Twitter e até o YouTube – enquanto os veículos tradicionais respondem por apenas 5%. “É uma questão de mudar as cabeças”, disse.

Ele acredita, inclusive, que a própria forma de consumir informações por meio da palavra escrita está em extinção. “Hoje a mídia é muito mais audiovisual”. De fato, pesquisas divulgadas no Digital Age mostram que o vídeo online é uma das preferências dos brasileiros.

Velloso, do Google, foi por outro caminho. “O que existe hoje é uma disputa de tempo – as pessoas gastam 25 minutos no jornal impresso, e apenas 70 segundos no site da publicação”, comentou. Para ele, o foco de replicar o conteúdo offline no online é errado, e não cria engajamento nos leitores. “O que as empresas precisam fazer é cortar os custos – elas não podem gastar tanto”, defendeu.

Ele também defendeu a gigante de buscas, apontada por muitos como uma das vilãs da crise nas mídias tradionais. “O Google só ajudou a internet”, disse. Segundo ele, uma enorme quantidade de sites de notícia passou a receber ou teve seu tráfego aumentado por conta de serviços como o agregador Google News. Diante da ameaça de alguns veículos de restringir o acesso do mecanismo de busca ao seu noticiário, ele argumentou que isso “não resolveria o problema – o importante é gerar conteúdo relevante”.

Publicar informações diferenciadas também foi uma necessidade apontada por Suzana. “Os jornais ainda não conseguiram gerar no online um conteúdo tão melhor a ponto de convencer os leitores”, disse.

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