Economia da Informação

Fim do Jornal do Brasil

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 14 de julho de 2010

Direto de O GLOBO.

‘Jornal do Brasil’ deixará de circular e terá apenas versão na internet

[…]RIO – O “Jornal do Brasil”, um dos mais antigos do país – que teve a sua primeira edição impressa em 1891 -, vai deixar de circular. A data para o fim da versão em papel será decidida entre quarta e quinta-feira, segundo informou o empresário Nelson Tanure, dono da marca, nesta segunda-feira. Com dívidas estimadas em R$ 100 milhões e vendo a circulação despencar, Tanure tentou encontrar um comprador para o jornal. Sem sucesso na sua empreitada, decidiu manter o jornal só na internet.

– A decisão de acabar com o papel está sendo tomada esta semana. Teremos uma decisão na quarta-feira ou na quinta-feira. Provavelmente, seremos o primeiro jornal a estar apenas na internet. É algo que está acontecendo no mundo todo – disse Nelson Tanure.

Nesta segunda, Tanure confirmou a saída de Pedro Grossi, que ocupava a presidência do “JB” há apenas quatro meses:

– Eu demiti o Pedro Grossi porque ele era a favor de continuar no papel – disse.

Em carta a editores e diretores do “JB”, e reproduzida no site “Janela Publicitária”, Grossi diz que “Em almoço realizado hoje (segunda-feira), na presença do Dr. Ronaldo Carvalho e da Dra. Angela Moreira, o Dr. Nelson Tanure informou que publicará na edição de amanhã (terça-feira) do Jornal do Brasil (JB) uma notificação assinada pela direção da empresa e dirigida aos leitores na qual explica a transposição do jornal escrito para o tecnológico. Considerando que isto contraria a razão pela qual fui contratado, solicito, sem perda de meus direitos, que o expediente do jornal e de todas as revistas não conste mais meu nome”.

Procurado pelo GLOBO, Grossi, no entanto, diz que só deixará o cargo de diretor-presidente do “JB” assim que a empresa anunciar o fim da publicação impressa. […]

EI: A muito se discute na economia da informação os novos modelos de negócios com a internet, e o desaparecimento da versão impressa do JB levanta um furor nos entusiastas com a informatização onde eles vêm a decadência dos jornais como algo bom. O que é de desconhecimento destes mesmos entusiastas é que apenas 26% dos lares do Brasil possuí conexão com a internet e 75% da população é composta de analfabetos funcionais o desaparecimento de um jornal em uma versão impressa é de causar não um furor quase eclesiástico para um dogma tecnológico, mas sim um espanto para a aparição de uma tendência sem precedentes onde haverá assimetria da informação onde será composta dos que têm acesso à informação (os possuidores de conexão com a internet) e os que não vão possuir esse acesso; bem como essa assimetria irá ocorrer também na forma em que a pluralidade dos meios de informação ficam limitados (mesmo que somente 25% das pessoas consigam abstrair algo das palavras escritas). Uma proposta plausível para os jornais, e a mudança de seu modelo de negócio seria:

1) acabar com os artigos de opinião e editoriais, e transcrição de noticias em formato de sintético, sem comentários de qualquer tipo de natureza, onde desse modo a decisão da opinião ficaria somente com o leitor;

2) reduzir as fotos e pictogramas e investir em reportagens que não sejam somente de amenidades como crimes locais, ou discussão de assuntos irrelevantes;

3) acabar com o modelo pago e investir na distribuição gratuita, ou freemium como prefere chamar o Chris Anderson (autor do livro a Cauda longa), onde os anúncios pagariam os custos do jornal;

4) apostar em reportagens investigativas, e com isso distinguir a linguagem do jornal e investindo em uma segmentação;

5) utilizar o versioning (criado pelo Dr. Prof. Hal Varian e o Dr. Prof. Carl Shapiro) onde ter-se-ia 3 a 4 versões do mesmo jornal mas com noticias locais, ou mesmo segmentados para públicos de nicho como empresários e executivos, público em geral, versão local, versão de bairro, e versão com fatos comentados pelos cronistas de grande sucesso.

É um longo caminho, mas sem dúvida o mais importante não é o modelo de negócios adotado por jornal A, ou B mas sim a pluralidade de opiniões e de contextos que fazem a construção de não somente da economia da informação, mas sim de uma sociedade justa e democrática.

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