Economia da Informação

Monopoly Wars (X) – Apple x Bella

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 1 de julho de 2010

Para quem não sabe o Bella é um site voltado ao público adulto que comercializa making offs de ensaios sensuais. Até aí nada demais, só que a Apple resolveu retirar o conteúdo do Bella da Apps da iTunes Store com a justificativa de conteúdo ofensivo e não apropriado para o seu portfólio de vendas.

Na Economia da Informação esse é um dos riscos do sistema proprietário que condiciona de forma compulsória o usuário a utilizar somente aquilo (o conteúdo) que a empresa de tecnologia quer. E entra o velho dilema: Depois que o aparelho for comprado, até onde vai o direito das empresas e onde entra o direito do consumidor? Veja mais um episódio de lock-in desencadeado pela a Apple e a resposta da Bella.

Apple imita a China

A multinacional Apple, já conhecida por não deixar que os donos de iPhones instalem o aplicativo que desejam em seu telefone, agora imita a censura chinesa e resolve definir o que é adequado ou “altamente inadequado ” – conforme palavras do vice-presidente da Apple, Phil Schiller, em entrevista ao The New York Times – aos usuários do aparelho. Ou seja, os donos de iPhone não podem decidir o que é adequado, pois a Apple já decidiu por eles. É como se o usuário comprasse um computador novo e a fabricante do equipamento só permitisse a instalação de aplicativos vendidos e liberados por ela.

Este fato derruba a liberdade de expressão, bem como a liberdade sexual – avanço que, em países civilizados, permite que cidadãos possam acessar todo tipo de conteúdo, seja sensual, erótico, pornográfico ou gay, de acordo com sua própria vontade.

Cinco mil empresas acreditaram na Apple e investiram tempo e dinheiro para lançar aplicativos na APP Store, inclusive seguindo os critérios obscuros do que é “adequado” para a companhia. Após isso, são repentinamente avisadas de que seus aplicativos foram retirados do ar, de forma totalmente arbitrária.

O mais curioso é que aplicativos da revista Playboy e calendários de mulheres seminuas da Sports Illustrated não foram retirados do ar. A explicação de Schiller para casos como estes seria de que se tratam de “empresas conhecidas com material publicado em formato de grande aceitação”. É como se os outros países também não possuíssem conteúdos de “grande aceitação”. Novamente, a Apple tomou a decisão sozinha.

Isto nos leva a questionar qual será o próximo passo da Apple. O bloqueio do Safari, seu navegador, para sites que a empresa considera inadequados?

A Apple precisa, enfim, adaptar-se ao mundo democrático. Precisa derrubar as barreiras que impedem a livre circulação de todos os aplicativos, o que inclui deixar para trás critérios subjetivos de aprovação de conteúdos e a obrigatoriedade da passagem pela Apple Store. Assim como fazem todos os fabricantes de computadores e de sistema operacional, a empresa deve sim liberar em sua loja os APPs com conteúdo sensual, pornográfico ou gay.

Alexandre Peccin

CEO – Bella da Semana

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