Economia da Informação

Um para todos, e todos para nenhum

Posted in Sem categoria by Flávio Clésio on 3 de junho de 2010

Dan Tapscott é um dos meus autores favoritos quando se trata de Economia Digital, pois, ele é um daqueles visionários que marcam época. Pessoalmente já li dois de seus livros, o Blueprint to the Digital Economy: Creating Wealth in the Era of E-Business (1999) e o The Digital Economy: Promise and Peril In The Age of Networked Intelligence (1997).

Dan tem uma visão bem clara sobre os direitos autorais, no qual defende que a música tenha que ser um serviço, mas não um produto como vem sendo feito ao longo dos anos. Em um de seus artigos na Revista Info, em especial do mês de maio, ele apresenta a sua teoria de forma em que uma leitura menos avisada não veja os devidos contrapontos que devem se postos em questão. Mas vamos a alguns deles, e vejamos porque esse modelo de negócio proposto por Dan Tapscott não pensa nos autores e nos músicos:

1 – Nulidade de remuneração dos autores: em nenhum momento de seus livros, ou mesmo no artigo que será exposto abaixo Dan mostra uma maneira de remuneração dos autores, e músicos; onde, mesmo com a queda de vendas ainda continuam recolhendo o que lhes é devido; se alguém tem dúvida pergunte ao Leandro Lehart (Ex-Art Popular), Kiko Zambianchi, ou para o Nando Reis se não dá dinheiro compor. Agora como isso será recolhido pagando somente 7 dólares para se ter (na prosposta de Dan) todas as músicas do mundo (sic.)?

2 – Quem recebe o que?: Ainda baseado no modelo proposto por Tapscott, ele não diz como serão remunerados os músicos envolvidos no processo de composição e execução, já que, muitas das vezes quando é estimado um retorno sobre o que foi investido fica mais fácil de se captar recursos. Não entendeu? Simples.

Se você fosse investir para a gravação de um artista contratando arranjadores, orquestra, músicos qual seria a sua escolha entre Zezé Di Carmargo e Luciano e uma dupla de desconhecidos que tem uma boa música tocada no violão? Simples assim.

3 – Total desconsideração dos custos de gravação: Os meus alguns (bons) anos de música e uma ampla rede de contatos com esse mundo me permite ficar mais a vontade para falar sobre custos de gravação; mais do que Economia da Informação em si.

Uma coisa é gravar um CD como o artista Ventania, outra é produzir como o Metallica fez em 1999 no vídeo abaixo:

Nem é preciso dizer o qual sai mais caro. Agora a pergunta que fica é: Quem vai remunerar esses artistas, a distribuidora dos CD’s (Não, não existe a universalização do acesso à internet no Brasil, o número atual é de que 26% da população tem acesso à internet), o maestro, a orquestra de San Francisco que endossou o trabalho com mais de 50 profissionais em palco?

Essas são só algumas considerações que já foram explicitadas aqui no Economia da Informação no tópico “Os downloaders e o futuro da música” e no tópico “…Uma reflexão sobre direitos autorais, e o futuro da música” mas que merecem o devido reforço condicional Paloviano por parte do EI no qual não há almoço grátis em economia, colocando aqui o contraponto no que é colocado pelo o Mainstream midiático, em especial nas publicações de informática.

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