Economia da Informação

Google: Monopólio da Informação?

Publicado em Sem categoria por Flávio Clésio em 16 de janeiro de 2010

Eu vejo um gigante monopólio se desenvolvendo que faz lembrar a Microsoft

Essa foi a principal frase da entrevista com a Ministra da Justiça Alemã, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger divulgada pela a revista alemã SPIEGEL onde foi colocada em pauta até onde vai a idoneidade de uma empresa que obtêm as mais variadas fontes de informação do mundo, seja através de seu Search Engine Optimization (SEO), escaneando livros de autores sem a devida autorização e divulgando, ou mesmo passando com veículos que tiram fotos das casas para o desenvolvimento de uma aplicação de localizador equivalente a um guia urbano.

Em uma sociedade de plena competitividade em diversos ramos inerentes à atividade humana sejam nos esportes, negócios, produção acadêmica, desenvolvimento de tecnologias, a discussão sobre o uso da informação e a maneira que essa informação é captada e difundida a certos canais é uma discussão que vem crescendo nos últimos tempos pelo o fenomenal crescimento da Google.

Não é novidade que qualquer tipo de estrutura de mercado monopolista deixa o mercado viciado e tende fatalmente a incorrer em concorrência desleal na forma em que uma única empresa controla toda a oferta.

No caso da Economia da Informação esse tipo de estrutura é tão ou mais nocivo que os monopólios de oferta a bens de consumo devido a lidar com um vasto capital (a informação) que recebe a pouco custo, e o armazenamento e a redistribuição tem preços quase que irrelevantes.

No caso do Google, o mesmo está caminhando para duas posições extremamente perigosas que é a posição de Monopólio da Informação, ao mesmo tempo de Monopsônio da Informação.

Sobre essa abordagem do Google na captação das informações, a ministra faz um comentário sobre o modus operandi que a empresa está tomando em relação a questões legais a direitos autorais:

“What troubles me is this notion of pressing ahead, this love of big things, this attitude that’s also apparent during Google book searches. First they scan copyrighted works, and then they wait to see who reacts, and how vocal the reaction is. And if someone wants to enforce his copyright, they can go ahead and contact Google. I already criticized this approach and protested against it when I was a member of parliament. On the whole, I see a giant monopoly developing, largely unnoticed, in a case that’s reminiscent of Microsoft.”

(Tradução Livre: O que me incomoda é essa pressão, esse amor por coisas grandes, essa atitude que também apareceu durante as buscas de livros no Google. Primeiro eles escanearam obras com direitos autorais, e então eles esperaram para ver qual seria a reação, e como seria a voz da reação. Se alguém quisesse fazer valer os seus direitos autorais, essa pessoa deveria ir em frente e acionar o Google. Já critiquei essa abordagem e protestei contra isso quando eu era membro do parlamento. No geral, eu vejo um gigante monopólio se desenvolvendo que faz lembrar a Microsoft).

É um assunto a ser discutido pelo setor governamental, legislativo, e acima de tudo pela a população que ao mesmo tempo deseja uma ótima ferramenta de busca, mas que por ventura não pode perder a sua privacidade seja para o governo, seja para a iniciativa privada, esta última dotada de interesses nem sempre transparentes.

PARA LER:

SPIEGEL International – ‘I See a Giant Monopoly Developing That’s Reminiscent of Microsoft’ - <<http://www.spiegel.de/international/germany/0,1518,671426,00.html >> – Acessado em 16 Jan 10.

SPIEGEL International – ‘I See a Giant Monopoly Developing That’s Reminiscent of Microsoft‘ – <<http://www.spiegel.de/international/germany/0,1518,671426,00.html >> – Acessado em 16 Jan 10.

Ebooks x Livros

Publicado em Sem categoria por Flávio Clésio em 16 de janeiro de 2010

No site do Estadão está hospedada uma entrevista com o escritor Paulo Coelho, que é o autor brasileiro mais vendido no mundo; onde ele chama atenção para o modelo de negócios que ele adotou para se popularizar sem perder público que foi de tornar público para download 20 de suas obras.

Paulo Coelho mantém um blog onde ele divulga pequenos pedaços de suas obras ainda em fase de editoração, pensamentos diversos, e támbem serve como canal de comunicação entre os seus leitores.

Partindo para uma pequena análise em Economia da Informação, Paulo Coelho foi muito feliz em sua observação mediante a questão de como a geração acostumada com o papel vai adaptar-se ao meio eletônico ele disse:

Assim como o teatro sobreviveu a tudo (cinema, televisão, etc.), o livro em papel também vai sobreviver. Mas o que estamos vendo no momento em diversos países do mundo, inclusive no Brasil? As livrarias independentes estão desaparecendo. O grande problema reside aí – não há nada que substitua uma boa livraria – pelo convívio, pela atmosfera, pela beleza. Não sei quanto tempo esta transição levará, bem menos do que imaginamos, e creio que a adaptação de todo o mercado será muito difícil. Por outro lado, o e-book tal como conhecemos hoje será em breve substituído pelos smartphones. Quando digo em breve, estou falando antes do final deste ano. E escrever para o formato do smartphone é muito difícil. O que me facilita muito é que tenho experiência com um blog diário no Brasil, e com o meu blog – textos curtos e diretos.

Aqui podemos observar logo de cara o fato de o livro ter alta base instalada e de altos custos de troca tornando lento e desvantajoso o processo de adaptação, mesmo se for por uma tecnologia superior, pois, mesmo com o advento dos smartphones e de e-readers, estes ainda não possuem a infinidade de bibliotecas como o formato impresso.

Outro aspecto a ser observado é o fato de ser mencionada a atmosfera do ambiente de uma livraria ou até mesmo em um clube de leitura, o qual permite um maior grau de sociabilização, fato esse produto da experiência do usuário onde nem mesmo os formatos digitais conseguem suprir essa necessidade humana de sentir o ambiente.

Edge

Publicado em Sem categoria por Flávio Clésio em 16 de janeiro de 2010

Um ótimo site de informação sobre discussões intelectuais nesse terceiro milênio a respeito de comunicação digital é o Edge.

O site contém diversos ensaios de intelectuais que discutem desde política até artes, passando pela internet e a revolução da informação.

No site do Estadão está hospedado um blog chamado Gabi e Croc que faz diversos reviews de matérias abordadas no Edge. Chama a atenção um infográfico postado sobre como a internet está mudando a forma de pensar das pessoas de George Dyson.



O google está nos tornando estúpidos?

Publicado em Sem categoria por Flávio Clésio em 16 de janeiro de 2010

Uma sugestão de leitura sobre Economia da Informação, mas especificamente sobre dispersão e concentração de informações é o ótimo artigo do pensador, ensaísta especializado em economia e negócios, e ex-editor da Harvard Business Review Nicholas Carr.

Em seu artigo publicado em agosto de 2008 na revista Atlantic com o título de Is Google Making Us Stupid ? onde ele traça diversos paralelos sobre a forma em que a informação está mais acessível e democratizada nos dias de hoje, mais especificamente em uma reflexão sobre os motores de busca e a capacidade de dispersão e concentração devido à avalanche de informações as quais somos submetidos a cada dia.

No começo do artigo ele traça um paralelo entre o filme 2001: Uma odisséia no espaço quando ele traz uma passagem do supercomputador HAL e o controle artificial e o descontrole humano. Carr explica que com o advento das novas tecnologias, e aprimoramento das ferramentas de busca mediante a navegação em busca da informação, antes feitas em bibliotecas por horas a fio em busca de uma referência, hoje é feita em questão de minutos graças a montanhas de pentabytes espalhadas pela a internet.

Porém, na visão de Carr, essa acessibilidade à informação tornou o ser humano pouco capaz de selecionar a informação, bem como pouco capaz de manter o foco em atividades que demandem atenção contínua como a leitura de um livro por exemplo. O fato de essas tecnologias trazerem um quociente de informações gigantesco em questão de segundos alimenta também o ramo de propaganda, que, ao mesmo tempo direciona para a informação pertinente; ela também mapeia nossa navegação direcionando propaganda personalizada.

Um paralelo muito interessante realizado por Carr foi de que a dispersão e a falta de foco e concentração durante a navegação na web estão atrapalhando até questões relativas à cognição e a capacidade de aprendizado e sintetização dessa informação, tamanho grau de redução do conhecimento em si para gerar informação; isso é bem conhecido em Arquitetura da Informação mediante a utilização de técnicas de usabilidade, como, redução de texto para páginas em formato web.

Uma passagem no artigo é a similaridade da eficácia taylorista com extrema eficiência da atividade de leitura, que antes deveria ser criteriosa e abdicada de pressa, e hoje tão suprimida pela a falta de tempo dos navegantes da rede.

Na visão do autor para o Google “a informação é uma espécie de commodity, um recurso utilitário que pode ser minerado e processado com eficiência industrial. Quanto mais peças de informação nos pudermos acessar, mais rápido podemos extrair o seu conteúdo, e nos tornaremos pensadores mais produtivos”

Para aqueles que acham que Nicholas Carr é um cético de tecnologia, um dos velhos nostálgicos, leiam o artigo livre de preconceitos, pois, no mínimo, é uma leitura de reflexão em meio a torrente de informações a que somos bombardeados todos os dias, sejam pelo o imediatismo e sensacionalismo dos jornais, bem como a superficialidade e a abreviação precoce das páginas de internet; afinal de contas não queremos nos tornar pessoas panquecas [1] que são vastas lateralmente, mas rasas em conhecimento.

[1] – Adaptação do autor para o termo “Pancake People“.

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